SUA MENSAGEM

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Ignorância miraculosa


“...E agora Senhor? Não sei nadar! Tu o sabes, preciso estar do outro lado do rio. Então clamei ao Deus de Israel, com fé. Um forte vento oriental começou a soprar, num primeiro momento tive medo, mas em seguida senti um calor como de um abraço e uma voz soou ao meu ouvido “não temas meu filho, estou contigo”. Então uma grande mão me agarrou pela cintura, e me atravessou para o outro lado do rio, já em terra ajoelhei-me e louvei ao Senhor dos exércitos, segui o meu caminho jubilando de alegria falando em línguas.”

Contado assim, por alguém duvidoso, a chance de se acreditar numa estória como esta é mínima. Essa chance seria aumentada consideravelmente se tivesse sido ouvida dentro de um templo religioso, na forma de testemunho por um membro fervoroso ou pelo dirigente da igreja, ou ainda se estivesse participando no momento de grupos de oração. A probabilidade de descrédito seria anulada definitivamente se a tal estória tivesse sido contada há mais de 2000 anos por judeus antigos, escrita em pergaminhos que ficaram perdidos durante centenas de anos e foram descobertos em cavernas na Palestina e muitos anos depois encadernada na forma de bíblia.

Os católicos, protestantes e ortodoxos demonstram todos os dias que está totalmente aberto a acreditar em qualquer coisa que lhes sejam contadas. “Obras” como essa acima é o mínimo que se pode ouvir em igrejas espalhadas pelos inimagináveis lugares do mundo. Os “milagres operados por Deus ou santos” vão de cura de câncer, mortos que ressuscitam, troca de órgãos vitais como coração, pulmão, etc. Por anjos a livramentos de acidentes e libertações fantásticas, aparição de personagens bíblicos mortos, etc. A crença cristã aproxima-se da crença dos gregos em seus deuses e façanhas mitológicas.
Preste atenção nesse versículo bíblico: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. (João 14:12)”. Eventos como o dilúvio, a passagem do Mar Vermelho, o êxodo do povo hebreu, a força de Sansão, a carruagem de fogo de Elias, indo até mortos ressuscitados por Jesus e apóstolos, ficaram no passado, sendo mais objetivo, até a era apostólica. Depois, em mais de 2000 anos não se tem mais relatos de tais eventos.

“...Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;(Mateus 21:21)”. Você já viu ou pelo menos já ouviu relatos de fé desse “tamanho” por aí? O máximo de “milagres” que Jesus fez foi caminhar por sobre as águas e ressuscitar mortos. Bem diferente do concorrente Moisés, que teria feito mil prodígios e bem maiores que o sumo mestre. Logicamente a pergunta que fica no ar é: Jesus se referia a quais obras, visto que as obras fantásticas cessaram? Ainda bem que não existem pessoas com tanta fé. Seria catastrófico ver montes sendo transportados de um lugar para outro ou árvores sendo destruídas só pela fé.

É creditado a Moisés mais milagres por que na época o povo não tinha acesso ao conhecimento e era facilmente induzido a crer em tais proezas. A ignorância tendo como aliada a superstição, fez-se um ambiente apropriado a crença, facilitando escrever livros que foram atribuídos a ele, cheios de mágica como as colunas de fogo que iluminava os Hebreus perseguidos pelos egípcios e a fantástica passagem do Mar Vermelho, etc. Diga-se de passagem, se sabe que  os livros do Pentateuco NÃO foram de sua autoria e que foram escritos muitos anos após sua morte.

Então o que houve com a fé cristã? Com a evolução do conhecimento humano ficou mais difícil acreditar em  fantasias nos últimos séculos. Logicamente antes de se inventar qualquer coisa do tipo, examina-se antes a coerência do milagre, logo, não é coerente um exagero desse tipo, não seria dado crédito com facilidade, melhor nem inventar. Não foi a "fé" que diminuiu foi o homem que ficou mais inteligente, sabendo discernir verdades e mentiras.

É verdade que hoje os milagres podem ser até comprados, nem precisa estar na igreja, basta colocar um copo com água encima da TV para acontecer a maravilha. Coisa que pode ser facilmente desvendada.

Quem nunca ouviu estórias de paralíticos sendo curados dentro de igrejas? Em se tratando de fé cristã, principalmente pela vertente protestante acontece de tudo. Mas é bom lembrar que não há unanimidade quanto a crença, sempre existe uma parcela grande da população que ver com ceticismo as maravilhas contadas pelos cristãos e exigem provas.
Outro dia fazendo umas pesquisas para escrever esse texto deparei-me com um testemunho maravilhoso em um fórum de uma evangélica adepta ao RR Soarismo. Ela contou que o pai tinha uma doença cardíaca e por duas vezes já havia sido hospitalizado por esse motivo. Então quando toda a família se converteu protestantismo, começou a assistir os cultos do pastor RR Soares, onde foi instruída a enviar uma camisa do pai para ser ungida pelo pastor. Não deu outra, em pouco tempo o pai dela estava liberto da doença cardíaca. Já nas últimas linhas do texto desta mulher e já fora do contexto, ela lamenta ter perdido o pai (o mesmo da cura) vítima do câncer, ou seja, foi curado do coração e esqueceram-se do câncer que o levaria à sepultura. Incoerente.

A palavra acreditar vem de “credere” de origem latina que significa "dar crédito", têm uma relação de confiança e de participação ". Crer é não ter a certeza absoluta, é dar o seu consentimento a uma representação, sem ter certeza sobre o verdadeiro caráter deste último. Neste sentido, um cientista diria que a fé é sempre cega, porque se uma pessoa acredita quando não é certo é que não se tem conhecimento sobre as causas e efeitos do caso em que o crédito é dado. Neste sentido, podemos dizer que a crença religiosa é uma fé cega.



Autora: Luciana Rangel Koch
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